Até quando eu posso suportar? Muitas vezes chegamos a tal ponto que não aguentamos mais. Perguntamos infinitas vezes ao Senhor quando que todo sofrimento irá terminar e não obtemos resposta alguma. Procuramos e tateamos, desesperados, como que no escuro em busca de uma saída. Quantas vezes eu ainda devo perdoar?
Essa última é uma interessante pergunta que um dia foi feita a Jesus pelo apóstolo Pedro. Essa conversa foi registrada em Mateus 18:21-35. A resposta de Jesus é surpreendente, como tudo o que Ele disse. “Não até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” O perdão não tem limite. Não há um determinado número de vezes que devemos suportar, devemos sempre suportar. Para ilustrar esse ensinamento Jesus conta uma parábola fantástica.O credor incompassivo devia milhões de moedas de prata (Mt 18:24 NTLH) ao seu Senhor que lhe cobrou a dívida. Ele, desesperado, por não ter dinheiro para pagar, roga por misericórdia. O credor incompassivo sabe como pode ser o fim dessa história. Seus filhos poderiam ser vendidos como escravos, todos os seus bens poderiam ser confiscados ou ele mesmo poderia se tornar um escravo ou preso até que sua dívida seja perdoada. Mas clamou por misericórdia e esta o alcançou.
Mas quando alguém que lhe devia muito menos, cem moedas de prata (Mt 18:28 NTLH) clamou por misericórdia, ele foi incompassivo. Ele alcançou perdão, ele experimentou a misericórdia e foi incapaz de agir de igual forma. Mandou por seu credor na prisão até que ele pagasse a dívida. Mas os demais empregados contaram ao patrão o que havia ocorrido e este o repreendeu dizendo: “Empregado miserável! Você me pediu, e por isso eu perdoei tudo o que você me devia. Portanto, você deveria ter pena do seu companheiro, como eu tive pena de você.” (Mt 18:32,33 NTLH). Por isso ele mandou prendê-lo até que lhe pagasse a dívida.
Nós somos assim, nos achamos donos da verdade e da justiça e achamos que estamos no direito de requerermos justiça para nós mesmo e não perdoamos. Devemos tomar cuidado, porque todas as vezes que julgamos ser donos da verdade, a perdemos completamente.
Cristo nos perdoou. Nós fizemos muito contra Deus e por mais que entendamos isso não conseguiremos compreendê-lo completamente. Jesus morreu por nós quando nós ainda éramos seus inimigos. Não mereceríamos nada além da morte eterna. Tudo que era nosso de direito era o peso da mão de Deus, a justa ira do Senhor, mas não foi isso que recebemos. Nós recebemos o perdão.
Sendo perdoados por Deus, devemos perdoar todos aqueles que nos ofendem. A capacidade de perdoar é própria de todo cristão. Esta é uma marca de uma vida transformada e que experimentou o perdão de Deus. Nada que as pessoas façam conosco é mais grave do que aquilo que nós fizemos contra Deus. Se alcançamos tal perdão, qual é a real dificuldade para perdoarmos as pessoas? O pecado que ainda atua em nós.
Eu não quero ser tão radical e nem abrir mão da verdade e das exigências de Deus, mas sou empático com a dificuldade de todos os mortais. Sei que não é algo tão simples, mas devemos perseguir diligentemente a perfeição e sermos iguais a Cristo Jesus. Seus imitadores. Cabe a cada um de nós estarmos vigilantes e nos esforçarmos para sermos os melhores na sociedade que vivemos. Devemos fazer a diferença. Nossa vida deve evidenciar a presença e o amor abnegado de Jesus. E que em nós habita o perdão e este pode ser dispensado a qualquer um.
Se esta é sua dificuldade rogue a Deus para que Ele tenha ainda mais misericórdia da sua vida. Rogue para que você experimente ainda mais do perdão de Deus e para que ele quebrante seu coração. Quando isso acontecer você experimentará o doce sabor do perdão e verá que este faz mais bem ao ofendido do que ao ofensor.
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