
Todo ser humano está sujeito a ser tentado. Não importa de onde provém a tentação, uma vez ou outra nossa inclinação santa entra em choque com o pecado. O próprio Senhor Jesus sofreu tentações. No deserto, após o batismo (o texto sagrado não quer dizer especificamente “imediatamente após”) Jesus fora levado ao deserto para ser tentado. Tal relato se encontra em Mateus 6:1-11, Marcos 1:12,13 e Lucas 4:1-13.
Cristo aprendeu a ser obediente nas coisas que sofreu (Hb 5:8) e evidentemente isso inclui a tentação no deserto. Semelhante a Moisés, que passou 40 dias orando, sem comer e beber qualquer coisa, no Monte Sinai (Ex 34:28) e representando os 400 anos do povo no deserto, Cristo, o Moisés Maior suportou a tentação e a venceu.
Satanás, de forma muito astuta, tenta Jesus naquilo que ele estava mais vulnerável. Fisicamente, ao apelar para a fome de Jesus por ter passado tantos dias de jejum, sua autoridade, a proteção divina e por último oferecendo um caminho mais fácil para conquistar o seu objetivo de implantar o Reino de Deus sem precisar passar pela cruz.
Aqui eu quero destacar como Jesus conseguiu vencer as tentações. Ele as venceu mediante oração e a Palavra de Deus, eu me atentarei a última. Jesus era como qualquer outro judeu de seu tempo, Ele aprendeu e meditou na Palavra do Senhor. Neste instante Jesus responde a Satanás usando aquilo que é de fato poderoso para libertar, que é a própria Palavra de Deus.
Cristo faz uso da Bíblia de seu tempo, não responde de si mesmo, mas responde de acordo com a vontade de Deus. Conforme Efésios 6:17: “Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;”. No tempo de Jesus a espada era um importante instrumento em momentos de conflito. Esta era a principal arma de combate e com ela era possível se defender e eliminar o inimigo. A Bíblia é muito rica e ao tratar ao seu próprio respeito Ela se equipara a espada, nossa arma.
Devemos fazer uso dela, todos os instantes, somos soldados de Cristo, arregimentados pelo Senhor e não temos mais nada a fazer do que cumprir as ordens daquele que nos chamou, nos arregimentou (2Tm 2:4). Um soldado não deve deixar nenhum dos seus aparatos para trás, devemos estar sempre com a Palavra acessível a nós. Isso não significa que devemos andar o tempo todo com a Bíblia em nossas mãos, quer dizer algo muito mais profundo: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.” (Sl 119:11). Temos que guardar a Palavra. De que outra maneira pode o jovem guardar puro o seu caminho? Não há outra forma a não ser observar a Palavra do Senhor (Sl 119:9).
No que tange a batalha contra o pecado alguns passagens devem sempre estar na mente. Primeiramente devemos estar cientes que toda a tentação não vem de Deus: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.” (Tg 1:13), mas do próprio desejo do ser humano: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que possais suportar.”.
Reconhecendo que “(...) a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” (Tg 1:15) então devemos cuidar sobre o que pensar. “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Fl 4:8).
Não somente estes textos, mas toda a Palavra deve estar acessível em nossas mentes. O salmista diz que induzia o seu coração a guardar a Palavra de Deus, e nós devemos fazer o mesmo, decorar.
Que Deus nos abençoe, que Deus aumente nossas faculdades mentais, que Ele coloque em nossos corações tal desejo, mas não nos esqueçamos, cabe a nós induzir nosso próprio coração para isso.